Seguro de crédito ganha força com juros elevados, inadimplência em alta e recuperações judiciais

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Diferentes setores da economia buscam proteção contra calotes e ampliam a demanda por apólices em todo Brasil

Crédito: Unsplash

O seguro de crédito, produto que protege empresas contra o não pagamento de vendas a prazo, vive um momento de expansão no Brasil. Com juros elevados, inadimplência em alta e recuperações judiciais em patamar recorde, cresce o número de empresários que buscam blindar suas empresas e vender com mais segurança.

Segundo dados da Susep, a Superintendência de Seguros Privados, o seguro de crédito e garantia registrou um crescimento de 22,9% no primeiro semestre de 2026. O destaque fica para as garantias no setor de obras e concessões públicas, que foi responsável por quase R$700 milhões dos mais de R$900 milhões de aumento do segmento.

Na prática, o seguro transforma a análise de crédito em um limite aprovado por quem monitora o risco dos compradores. O vendedor aprova clientes novos com mais rapidez, entra em regiões e segmentos que o crédito interno evitaria e fecha negócios maiores sem estourar o apetite de risco da empresa.

Para Yuri Romão, CEO da Plury Seguros, o gatilho para contratar esse modelo de apólice costuma vir tarde demais. “Quase sempre o empresário procura o seguro depois de uma perda real ou de um susto, como um calote relevante ou a recuperação judicial de um cliente importante. O nosso desafio é levar essa decisão para antes do prejuízo”, afirma.

Ao contrário do que muitos imaginam, o produto não é exclusivo de grandes multinacionais. Já existem apólices desenhadas para empresas com faturamento B2B entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões, além de pacotes 100% digitais. O prêmio é proporcional ao faturamento segurado, e a empresa pode proteger apenas os compradores mais críticos.

O Brasil tem cerca de 2 mil apólices de seguro de crédito e aproximadamente R$ 1 bilhões em prêmios, patamar pequeno para o tamanho da economia. Segundo Luis Capobianco, especialista em seguro de crédito da Wiz Co, quatro fatores sustentam a expectativa de crescimento. O primeiro são os juros altos, com queda gradual: o Focus projeta a Selic em 12% em 2027, o que mantém o crédito caro. O segundo é a inadimplência elevada. O terceiro é a exportação, que ampliou em cerca de 33% a procura por seguro de crédito. E o quarto é o  doméstico ainda pouco explorado, que historicamente concentra cerca de 80% dos prêmios e oferece grande oportunidade entre as pequenas e médias empresas.

“É um mercado com muito a desenvolver, e a nossa expectativa é de crescimento expressivo a cada ano. No Nordeste, por exemplo, esse movimento já acontece e a próxima fronteira é a logística: a Transnordestina prevê 11 terminais intermodais, que permitirão exportar também a produção do interior do Nordeste e abrirão um público novo, que ainda não conhece o seguro de crédito”, afirma Luis.