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Editorial

A violência nas escolas, assunto de entrevista concedida pela comandante da Patrulha Escolar do 4º BPM, tenente Alice Lane, na edição passada, nada mais é do que o reflexo do nosso cotidiano em uma instituição combalida por governos que pouco investem em um setor essencial para o desenvolvimento do País.

A violência não nasce e se encerra entre os muros de uma escola. Ela entra pelo portão, carregada por alunos que vivem em um lar desestruturado, onde quase tudo é resolvido na base da pancada. A criança ou o jovem, diante de um conflito, se utiliza da única arma que aprendeu: a violência.

É perturbador saber que a Polícia Militar precisou criar uma patrulha especialmente para as escolas; e que o propósito inicial de proteger nossas crianças se perdeu na necessidade de proteger funcionários e professores dessas mesmas crianças. Porque é isso: a PM é acionada, quase sempre, para conter uma violência iniciada por um estudante. Simples, cruel e real.

Anápolis não vive a pior das situações. Perto dos grandes centros, estamos muito bem, obrigado. Mas ter pouca violência, significa ter violência. E só isso basta para que sintamos vergonha da geração que estamos preparando para o futuro.

É constrangedor ver escolas que o traficante da região tem mais domínio do que o mestre que tem a missão de ensinar. Ao mesmo tempo, é dignificante saber que mesmo diante de dificuldades imensuráveis, são poucos os professores que abandonam a sua sala de aula.

Há uma lição repisada nesse Brasil, mas nunca aprendida pelos governantes: a Educação é o único caminho para nos livrarmos desse complexo de vira-lata que nos acompanha desde sempre. O aluno mais carente precisa transpor vários obstáculos para simplesmente chegar à escola: pais que não dão o devido valor ao ensino, fome, falta de roupas e transporte, ausência total de estímulo externo para vencer na vida. A violência não pode ser o golpe final para o abandono dos estudos.

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