Home Opinião Edição 676 | Velha roda da política

O fato de Fernando Collor de Mello ocupar um cargo público em 2018 impressionaria os brasileiros de 1992. Se fosse possível que um de nós voltasse no tempo e comentasse com um cidadão dos anos 1990 que o político alagoano se lançou candidato a presidente da República, o espanto viria seguido da famosa frase, “vocês não aprenderam nada com a lição”.

Filiado ao PTC, Collor não tem nenhum impedimento legal que possa barrar a sua candidatura. Mas até mesmo para quem ignora a história brasileira, é fácil encontrar argumentos para não querer o ex-presidente na disputa. E o impeachment de 1992 não precisa ser citado entre os motivos. Collor destinou todo seu tempo na vida pública a si próprio. Desde que foi cassado, ele não fez nada além de tentar se vingar de quem denunciou seus erros quando foi presidente. Como alguém com esse perfil merece ter um cargo público?

Pesquisa Datafolha de quarta-feira (31.jan) mostra Fernando Collor com 3% das intenções de voto para presidente. É muito, mas nem tudo é notícia ruim. Segundo o levantamento, 44% dos eleitores dizem que não votariam em Collor “de jeito nenhum”.

Em um dos quadros, Collor tem 1%, numericamente empatado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). O ex-presidente é filiado a um partido nanico e se lançou ao Planalto há duas semanas.

A rejeição a Collor só é menor do que a de Michel Temer. Quando o presidente é apresentado como candidato, 60% dos eleitores dizem que não votariam nele.

É lógico que se trata apenas de um levantamento feito há vários meses antes da eleição, com uma indefinição entre aqueles que serão candidatos. Mas é sempre interessante ficar atento nos nomes que se apresentam e, lógico, rechaçar aqueles que possuem um histórico ruim. Collor pode estar colocando seu nome na lista de presidenciáveis apenas para testá-lo. De repente, se colar, ele entra na disputa.

Não é o caso de acreditar que Collor possa vencer a eleição. O problema é que uma vez na disputa, a quantidade de votos que ele eventualmente possa receber se transforma em capital eleitoral para negociações de apoio no segundo turno. E isso, inevitavelmente, se transforma em participação do alagoano em um futuro governo. Collor pode querer ser ministro ou indicar um aliado para um alto cargo ministerial. Dessa forma, a velha roda da política voltará a funcionar com força total. A derrota, neste caso e sempre, é do povo brasileiro.

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