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Editorial

O jornalismo calcado no sensacionalismo caiu em desuso. Aliás, nunca foi moda. É lógico que nunca deixará de existir aquela parcela da sociedade que faz questão de ver a fotografia mais chocante de um acidente automobilístico; que adora consumir a vida privada do artista, ao invés do que ele produz como arte; que prefere ler três linhas mais redigidas de um texto pobre no lugar de uma reportagem bem apurada e com a grafia correta. Mas para esses, existe hoje as redes sociais.

O escritor italiano Umberto Eco disse outro dia que as redes sociais deram voz a legião de imbecis. Através do Facebook ou Whatsapp opinam sobre os mais variados assuntos quem simplesmente não sabe o que está falando. O pior talvez não seja isso. A grande questão da comunicação atual é descobrir como evitar a propagação de inverdades numa velocidade espantosa, já que a retratação – tal qual o jornalismo tradicional – nunca atinge o mesmo público que ouviu inicialmente a calúnia.

O jornalismo profissional não vive qualquer ameaça, como tentam semear aos quatro ventos alguns. A notícia de qualidade, bem escrita, que retrata a verdade, sempre terá espaço, assim como um bom livro nunca deixará de ser lido. O ser humano que busca progredir não apenas profissionalmente, mas como indivíduo, necessita acumular conhecimento. E ninguém quer aprender o que está errado. Ou melhor: ninguém quer o superficial, porque do contrário está fadado a ser um profissional de faz-de-conta.

O professor de jornalismo Roy Greenslade, do jornal britânico The Guardian, comentou recentemente sobre o jornalismo de rede social e uma possível extinção da profissão quando se observa que todo mundo que tenha um smartphone pode tirar uma foto e escrever um texto relatando um fato, o que no final das contas seria jornalismo. “O jornalismo é uma atividade criativa que protege a democracia ao questionar os que estão no poder”, afirma Greenslade.  Não se trata de uma visão romântica: o comunicador tem um papel essencial na estrutura que sustenta a sociedade.

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