Home Opinião 50% ao extremo

Editorial

A ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública encomendou pesquisa Datafolha que constatou que metade da população brasileira acredita que “bandido bom é bandido morto”. O maior índice de concordância com a velha máxima foi entre os mais velhos. Na população com mais de 60 anos de idade, 65% aprovam a frase. Entre 16 e 24 anos, 53% discordam dela.

O tema segurança pública é extremamente polêmico, pois alguns defensores se utilizam de uma estratégia bem simples: pedem para que o interlocutor avalie a situação se colocando no papel da vítima. Essa situação extrema, lógico, não é a mais correta para analisar qualquer coisa. Embora a presença da indignação seja importante naquele que se propõe a buscar mecanismos para nos tornarmos uma sociedade menos violenta.

É partir para um extremismo perigoso defender a premissa do “bandido bom é bandido morto”. Mas alguns podem dizer: diante de criminosos que matam mulheres, crianças e pais de família a troco de nada, o que mais seria possível desejar? O brasileiro não crê na punição do bandido, pois escutam cada vez mais que as leis são frouxas, as cadeias não recuperam e a tendência é que tudo isso vai piorar.

O que talvez não seja aceitável é que as forças policiais passem a colocar o que metade da população acredita em prática. Porque aí sim as leis deixam de fazer sentido, por completo. A polícia partir do princípio de que “bandido bom é bandido preso”. Só assim serão preservados os direitos humanos que até podem não fazer sentido para um estuprador, mas que são essenciais a um cidadão inocente, que por ventura seja acusado injustamente de algo.

A sociedade há muito espera providências. As fórmulas que nos foram apresentadas atualmente não estão nem próximas de resolver o problema da insegurança pública. Metade da população quer ver bandidos mortos. Os outros 50% talvez não sejam apenas extremistas, mas possivelmente não têm nem a mínima ideia do que desejariam com os criminosos que são presos diariamente em todas as cidades do País.

 

 

 

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