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Em entrevista à RBC, Flúvia Amorim avalia que a redução pode ser pela grande quantidade de casos em anos anteriores

Goiás registra queda de quase 50% no número de casos de dengue registrados em 2020, na comparação com 2019. Em entrevista concedida nesta quinta-feira, dia 28, ao radiojornal O Mundo em sua Casa das Rádios Brasil Central AM e RBC FM, a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde, Flúvia Amorim, avaliou que essa redução pode ter ocorrido porque houve grande número de casos da doença nos anos anteriores.

“Isso faz com que grande parte da população acabe ficando imune ao vírus da dengue que está circulando, se não houver mudança nesse vírus. Pelo que a gente tem visto, não tem ocorrido uma mudança significativa”, ponderou. Ela acredita que esse fato pode explicar a redução significativa de casos da doença este ano.

Conforme Flúvia Amorim, as cidades goianas que requerem maior cuidado no combate ao mosquito Aedes aegypti , transmissor da dengue, são aquelas com maior número de habitantes. Mas desde o começo do ano são observadas concentrações de casos nas regiões do Entorno de Brasília, Sul Goiano e Oeste Goiano. “Nessas regiões, há alguns municípios que apontavam um aglomerado de casos maior do que o esperado”, afirmou.

Mortes por dengue

Sobre o fato de não ter sido registrada nenhuma morte provocada pela dengue no Estado este ano, a superintendente explicou que os exames de dengue continuam sendo feitos. O aumento do número de doenças respiratórias e a restrição do atendimento médico para pacientes eletivos em algumas unidades de saúde – porque o atendimento das urgências continua normal – podem ter causado a diminuição no número de casos graves (registrados) da dengue, disse.

Em relação aos óbitos, Flúvia ressaltou que, devido à epidemia da Covid-19, só é permitido fazer a necrópsia dos cadáveres suspeitos de alguma doença se o Serviço de Verificação de Óbitos tiver o nível máximo de segurança, para evitar o risco de contaminação dos profissionais.

Mas em Goiás nenhum Serviço de Verificação de Óbitos tem esse nível máximo, sendo que no Brasil teriam apenas os de Pernambuco e São Paulo. “Então, se uma pessoa morre com suspeita de dengue, a doença só pode ser confirmada se ela tiver o sangue coletado ainda no hospital”, esclareceu. Depois que morre, não é mais possível coletar o sangue para fazer o exame.

Ela admitiu ainda que, “dificilmente a pessoa vai ter condições de separar os sintomas da dengue dos da Covid-19”.  Informou que os principais sintomas da Covid são tosse, febre e dor de garganta, embora ela possa causar também cefaleia (dor de cabeça) e dor no corpo.  Mas se a pessoa tiver principalmente febre, tosse e dor de garganta, isso leva a crer que pode ser suspeita de doença respiratória e até de Covid-19.

Já quando está com dengue, a pessoa tem febre e sente muita dor no corpo, explicou Flúvia. “Essa prostração, essa indisposição, a febre e a dor no fundo dos olhos, são sintomas que podem diferenciar.” Mas ela lembrou que os sintomas (das duas doenças) podem ser muito semelhantes. E só realmente procurando um médico e fazendo o exame adequado para saber o que é. “Minha orientação é que, no surgimento de sintomas onde a pessoa possa ter febre e indisposição, ela deve procurar uma unidade de saúde”, afirmou.

ABC Digital

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