Juros altos aceleram uso do consórcio para renovação da frota entre motoristas de aplicativo
Com mercado de carros, motos e veículos eletrificados em expansão, modalidade já responde por cerca de um terço das aquisições em alguns segmentos e ganha espaço entre profissionais que querem reduzir custos e aumentar a rentabilidade (Foto: Divulgação/Unsplash)
Com a alta dos juros e o aumento dos custos operacionais como combustível, manutenção e financiamento, motoristas de aplicativo e entregadores têm buscado alternativas para renovar a frota sem comprometer o fluxo de caixa. Nesse cenário, o consórcio vem se consolidando como uma estratégia de planejamento financeiro para aquisição de carros, motocicletas e veículos eletrificados, permitindo que esses profissionais invistam na principal ferramenta de trabalho sem pagar juros.
O movimento acompanha uma mudança estrutural no mercado de consórcios. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o Sistema de Consórcios encerrou o primeiro semestre de 2026 com 13,36 milhões de participantes ativos, recorde histórico e alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2025. No segmento de veículos leves, foram comercializadas quase 1 milhão de cotas no semestre, crescimento de 4,2%, enquanto a entidade projeta expansão de até 11% para o setor neste ano, impulsionada pela busca por alternativas ao financiamento tradicional.
O avanço também é observado nas motocicletas, cada vez mais utilizadas por entregadores e profissionais da mobilidade. Segundo a ABAC, os créditos comercializados pelo consórcio de motos dobraram nos últimos cinco anos e, apenas no primeiro quadrimestre de 2026, movimentaram mais de R$ 10,75 bilhões, reforçando o papel da modalidade na renovação da frota de quem depende do veículo para gerar renda.
Esse cenário coincide com a recuperação do mercado automotivo. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com base em informações da Fenabrave, mostram que o Brasil licenciou 2,55 milhões de veículos leves em 2025, alta de 2,6%, enquanto as motocicletas atingiram 2,2 milhões de unidades, crescimento de 17% e recorde histórico.
Ao mesmo tempo, a eletrificação avança rapidamente. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que os veículos eletrificados alcançaram 16,2% de participação nas vendas de veículos leves em abril de 2026, o dobro do registrado um ano antes. Nos quatro primeiros meses do ano, foram comercializadas mais de 122 mil unidades, crescimento de 124% em relação ao mesmo período de 2025.
Para motoristas e entregadores de aplicativo, essa tendência vai além da sustentabilidade. Um estudo realizado pela plataforma 99 identificou que veículos eletrificados podem reduzir em até 80% os custos operacionais em comparação aos modelos exclusivamente a combustão, principalmente devido à economia com energia e manutenção. O desafio, entretanto, continua sendo o investimento inicial para aquisição do veículo.
É justamente nesse contexto que o consórcio ganha relevância. “Hoje o motorista de aplicativo administra uma empresa de uma pessoa só. O veículo deixou de ser apenas um patrimônio e passou a ser um ativo que precisa gerar retorno financeiro. Quando ele consegue substituir um carro antigo ou uma motocicleta de alta manutenção por um modelo mais eficiente, reduz despesas e melhora sua margem. O consórcio permite fazer essa renovação sem os juros, preservando o capital de giro e facilitando, inclusive, a migração para veículos eletrificados”, afirma Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios.
Segundo o executivo, o movimento também acompanha uma mudança no perfil do próprio consorciado. “Há alguns anos, o consórcio era visto principalmente como uma forma de comprar um bem no futuro. Hoje ele passou a integrar o planejamento financeiro de profissionais autônomos e pequenos empreendedores. Para quem vive da mobilidade, seja transportando passageiros ou realizando entregas, renovar a frota significa aumentar produtividade, reduzir custos e permanecer competitivo em um mercado cada vez mais exigente”, conclui.
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