Home Política “O PT tem o que mostrar”, diz prefeito João Gomes

João Gomes diz que em eleição não se pode descartar nada. “Já tivemos em outra época PT e PSDB juntos, então não vai ser novidade nenhuma se isso acontecer”, fala o prefeito

 MARCOS VIEIRA

 O prefeito João Gomes (PT) afirma que tem ocupado a maior parte do tempo com a administração de Anápolis, mas que se mantém a par das discussões eleitorais encabeçadas pelo seu partido. Quando possível, ele não abre mão de dialogar com lideranças partidárias e com aqueles que compõem a sua base governista. Candidato natural a reeleição, João destaca que o seu vice virá de uma das siglas aliadas. O prefeito não descarta nenhuma aliança, nem mesmo com os tucanos. Sobre reflexos da crise nacional na eleição anapolina, João Gomes afirma que o eleitor analisará o governo local na hora do voto. O prefeito de Anápolis recebeu a reportagem seu gabinete na quinta-feira (20). Confira a entrevista a seguir.

 

A eleição do ano que vem tem ocupado que espaço na agenda do senhor atualmente?

Não muito, até porque a nossa pauta principal é a administração, é a cidade de Anápolis. E o momento requer de nós total atenção, praticamente 24 horas por dia. Até dormindo estamos pensando o que vamos fazer no outro dia em prol de nossa cidade. Trabalhamos eu e uma equipe grande. Embora não tenha a figura do vice-prefeito para estar dividindo algumas preocupações e trocando ideia com a gente, temos uma equipe boa que está focada, está trabalhando muito. É claro que a gente acaba conversando no dia a dia, a gente tem envolvimento político porque é um espaço político, conversamos com partidos, com vereadores, com as forças partidárias, mas não tem sido grande o tempo não. E isso é normal: acho que o foco principal deve continuar sendo a administração.

 

O PT tem se encarregado de se articular visando o projeto do ano que vem?

Com certeza, o partido tem trabalhado. O companheiro Antônio Gomide tem trabalhado muito nesse sentido, o Rubens Otoni, o Ceser Donisete. Os companheiros do partido têm feito um trabalho político, enquanto nós fazemos gestão. Obviamente que estamos sempre conversando, [participado de] reuniões noturnas do partido com os companheiros para a gente poder atualizar as conversas e dar um norte.

 

O senhor tem intenção, quando for o momento que julgar o mais adequado, de conversar com todas as siglas visando uma aliança?

Temos feito isso já. Temos feito várias conversas com os partidos. Embora o tempo não seja grande, é difícil uma semana que a gente não converse com dois, três partidos. Temos mantido isso, temos uma base forte, que é base na Câmara Municipal – boa parte dela foi eleita conosco, outros vieram depois. Temos hoje apoio de vários partidos em Anápolis, que estiveram conosco na última eleição e que têm a intenção de continuar conosco em 2016. A verdade é que infelizmente no Brasil a cada dois anos temos uma eleição. Sai de uma já pensando na outra. Não devia ser assim, a reforma deveria ter unificado as eleições para que a gente pudesse ter mais tempo de trabalhar o governo. Daqui a pouco termina a eleição municipal e já começa a pensar na estadual e federal. Mas o sistema nosso é assim, não acredito que mude, então são discussões que se acaloram e acredito que daqui em diante aumentarão. Temos um prazo eleitoral, final de setembro começo de outubro, que é para as mudanças e filiações. Não sabemos se teremos janela. Mas em outubro a coisa começa a se definir de maneira mais objetiva, até porque quem está no partido está, quem não está não dá mais tempo. Isso com certeza muda um pouquinho o cenário, quando as conversas vão se intensificar. E as conversas com os partidos hoje têm sido muito boas e salutares.

 

O senhor acredita que o principal adversário, assim como no cenário nacional, será o PSDB?

Não acredito. O PSDB não foi nosso principal adversário em nenhuma das eleições. Em 2008 acaba que o principal adversário, que foi no 2º turno conosco foi o PMDB – muito embora o PSDB foi um adversário forte durante a campanha. Nas eleições de 2012 não tivemos 2º turno e com certeza o PSDB não foi o principal adversário. Estamos conversando com todas as forças políticas. Eu sou oriundo do setor produtivo, sou empresário aqui há 32 anos e estou aqui para administrar a cidade, dar o melhor de mim. A classe produtiva confia no meu trabalho, apoia meu trabalho, tem uma expectativa muito positiva a cerca da nossa gestão. Não podemos misturar as coisas. Quando você ganha uma eleição, assume uma cidade, um estado ou um país, você não assume para governar para um partido, para um grupo; assume para governar para todos. No nosso caso, assumimos para governar Anápolis. Portanto sou prefeito de todas as forças. Sou prefeito no Partido dos Trabalhadores, mas sou prefeito de Anápolis e tenho que me preocupar com isso. Não acredito que o administrador tem que estar aqui para ficar com rusga com essa ou aquela força – pelo contrário, todas as forças que quiserem se somar às nossas em prol de nossa cidade, com certeza estamos prontos para pegar na mão.

 

O senhor tem um diálogo positivo com o governador Marconi Perillo e falam que isso possa ser estendido para um projeto eleitoral.

Em eleição você não pode descartar nada. Já tivemos aqui em outra época PT e PSDB juntos. Então não vai ser novidade nenhuma se isso acontecer. Não estamos aqui para descartar nenhuma força. Estamos aqui conversando com todas – aquelas que nos procuram, outras nós procuramos. Nossa relação política é republicana, respeitosa, institucional. O governador Marconi Perillo é nosso amigo, é amigo da cidade, temos feito parcerias importantes e acredito que vamos fazer parceiras ainda mais fortes em prol da cidade de Anápolis, com obras importantes. O momento requer de nós muita responsabilidade, muito compromisso com a administração e com a população. A presidente Dilma Rousseff tem uma parceria com o governador, está sempre ajudando o Estado de Goiás, porque ela é presidente da República e Goiás faz parte do Brasil. Anápolis faz parte de Goiás. Da mesma forma temos uma relação muito boa no campo administrativo e até pessoal com o governador Marconi Perillo, com quem temos uma amizade que não é de agora, é bem antes de sermos prefeito da cidade.

 

Esse é um comportamento que se estende a outros políticos?

Temos buscado emendas de vários deputados e senadores. Isso inclui o PSDB, tem ainda o senador Wilder [Morais, do DEM], que está destacando emendas para a cidade de Anápolis. Outros deputados de outras legendas, que não só o Rubens Otoni, do PT. Temos buscado todos que querem trazer emendas para a cidade de Anápolis, independente de siglas partidárias. Aqueles que querem nos ajudar, mesmo que não tenham ligação direta com a cidade. O senador Wilder tem empresa aqui, tem um shopping, e tem o compromisso de nos ajudar. Você vê que a nossa preocupação é em benefício de nossa cidade. Se você briga com essas forças políticas, você não vai conseguir nada.

 

Qual o perfil de um vice que o senhor buscará?

O interessante é que o PT não tem discutido vice. E não vai discutir enquanto não chegar o momento. A vice será discutida entre os partidos que vão compor a nossa base, que vão nos apoiar. Se nós tivermos lá 12, 13 partidos… Os partidos que estiverem conosco, eles vão definir quem será o vice. Agora com certeza o perfil do vice deverá se somar ao perfil do prefeito. Ele não pode vir aqui para simplesmente trazer aquilo que o prefeito já tem. É importante que ele venha se somar ao perfil do prefeito, contemplando setores importantes da cidade, para que possamos dar à população uma conformação à altura da sua expectativa. Algumas coisas acontecem naturalmente em Anápolis. Você pode pegar aí os últimos prefeitos e você percebe que prefeito e vice, um complementa o outro. E isso é natural que aconteça e será uma coisa que com certeza será discutida e buscada não só pelo PT, mas por todos os partidos que estiverem juntos. Uma coisa é certa: vamos buscar um vice de outra legenda que estará conosco caminhando em 2016. A legenda do PT está indicando apenas o nome do candidato a prefeito.

 

O cenário político-econômico que vivemos atualmente influenciará na disputa do ano que vem?

O tempo na política é algo muito importante. Tem coisa que você quer que passe logo; outras que demore, para corrigir. Entendo que há uma guerra, um projeto de forças partidárias para desconstruir o Partido dos Trabalhadores, desconstruir quem tem promovido as grandes mudanças nos últimos 12 anos no País. O PT tem resgatado a dívida social que o Brasil tem com seu povo. Povo que sempre esteve à margem de tudo. Esse projeto de desconstrução de um partido, segmentando por alguns setores da imprensa, representados por uma oligarquia que a vida inteira dominou e que hoje patrocina uma elite preconceituosa, acaba tendo certo efeito. Não podemos dizer hoje que está tudo normal. Não está. Hoje o Partido dos Trabalhadores sofreu grandes ataques e isso de certa forma mexeu um pouquinho com sua estrutura, mexeu um pouquinho com sua força, mas eu ainda acho um partido muito forte, muito preparado, arregimentado e pronto para embates importantes.

 

Isso reflete diretamente em Anápolis?

É importante ressaltar que esse cenário nacional de certa forma tem reflexo do ponto de vista partidário, mas não tem reflexo do ponto de vista de gestão na cidade de Anápolis. A cidade tem experimentado nos últimos anos uma gestão bem avaliada. E acho que isso é o ponto forte. Administramos com todas as forças. Temos apoio de projetos importantes de partidos que a nível nacional são oponentes. Mas quando se trata de defender interesses de nossa cidade, temos conseguido trazer esses partidos para junto de nós, defendendo nosso projeto que se chama Anápolis. E isso é nosso diferencial. E acho que isso vai se potencializar e seria o grande diferencial. É claro que vão tentar colocar o cenário nacional como grande obstáculo, mas o que temos para mostrar em Anápolis vai muito além dos argumentos que eles vão expor. O que temos para apresentar são fatos reais da história de um governo que fez a diferença na vida do povo anapolino.

 

O senhor tem ido muito a Brasília. Temos expectativa de obras novas para a cidade?

A verdade é que uma cidade como Anápolis, de quase 400 mil habitantes, tem projetos importantes que podem ser executados a custa de recursos federais. Mas isso desde que você tenha esses projetos, e temos feito vários. Temos projetos importantes na área de drenagem, de asfalto, de canalização dos nossos córregos. Estamos criando alternativas para a mobilidade urbana. São projetos caros que estamos buscando recursos. Vamos lançar nos próximos dias algo em torno de R$ 100 milhões em obras. São R$ 75 milhões do PAC, com dois grandes viadutos, seis eixos do corredor de transporte, do nosso BRT. Temos o nosso Jonas Duarte, que vamos lançar a obra na segunda-feira [24/8], com recursos federais dos deputados Rubens Otoni e Jovair Arantes. Temos o nosso centro esportivo que será iniciado próximo ao kartódromo, são quase R$ 5 milhões. Quase R$ 7 milhões no Jonas Duarte e estamos buscando mais R$ 6 milhões para complementar essa obra. Vamos começar semana que vem a Avenida Leopoldo de Bulhões, aquela erosão, vamos começar o sistema de grampeamento ali, para que o problema seja contido. Já iniciamos o Parque da Jaiara, uma obra esperada há muitos anos, com recursos da própria prefeitura. Vamos entregar o [centro esportivo] Antônio Fernandes, temos cerca de nove Cmeis em construção, temos cinco Cmeis que serão iniciadas as construção, temos vários postos de saúde construídos e outros reformados. Temos várias escolas recebendo ginásios poliesportivos e é projeto nosso fazermos em todas as escolas. Isso é importante, temos feito sistematicamente. Vamos buscar recursos para outros parques.

 

O senhor tem trabalhado no projeto de um novo distrito agroindustrial.

Tenho feito reuniões duas, três vezes por semana, discutindo o nosso novo Daia. A ideia é criar o Daia 2 e o Daia 3. Está demorando um pouco porque não é fácil, precisamos fechar a PPP, o Estado vai entrar com uma tare diferenciada na aquisição do terreno. O governador já deu sinal verde. O vice-governador está trabalhando isso com sua equipe. O Victor Hugo está cuidando pessoalmente disso. Acredito que nos próximos dias teremos condições de anunciar isso. Já temos projeto pronto, áreas prontas que não podemos anunciar para não haver especulação, mas são cerca de 200 alqueires a soma de dois distritos. É uma notícia alvissareira e estamos aguardando apenas o desfecho para essa tare diferenciada. Com certeza será uma obra importante. Estamos perdendo hoje algo em torno de R$ 40 milhões. No ano passado perdemos R$ 20 milhões. Só no ICMS. Ou seja, cidades estão crescendo, recebendo um monte de indústrias, e Anápolis não recebe nenhuma. E as que aqui estão não têm condições de expandir, pois não temos áreas, não temos energia, não temos um monte de coisa. A vontade do empresário é vir para Anápolis. temos conversado muito com o presidente da Acia, ele tem vindo muito aqui. O Ubiratan tem nos ajudado nesse projeto. E vários empresários. O Ridoval, que é meu amigo, foi secretário e é conhecedor da área. Se Deus quiser teremos uma boa notícia para a cidade ainda nesse mês de setembro. Notícia que coloca Anápolis na condição de receber grandes empresas.  O aeroporto de cargas está prestes de virar uma realidade, e isso complementa um modal para que nossa plataforma vire uma realidade. E isso com certeza vamos além do comércio, que sempre foi forte, e a indústria, e agora a logística, que vem com muita força. 

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