Home Economia Crise faz valor de imóveis cair até 30% em Anápolis

Valor de aluguel também ter perda considerável no ano, embora a procura ainda exista graças ao Daia e polo universitário, afirma entidade anapolina que agrega imobiliárias

LUANA CAVALCANTE

Mesmo no cenário de crise, o mercado imobiliário de Anápolis não sofreu tantos prejuízos. A afirmação é do presidente da Associação das Imobiliárias de Anápolis (AIA), Frederico Godoy, que avalia que a cidade tem dois pontos positivos para “segurar” a desvalorização de imóveis: um distrito agroindustrial forte e ter um amplo polo universitário, que atrai estudantes de todo o Brasil.

Essa atração de pessoas acaba fazendo com que o setor de locação de imóveis não tenha tantas perdas. “Os universitários veem para a cidade e precisam alugar um local para morar, por isso, as regiões que estão próximas desses centros educacionais sempre estão valorizadas”, exemplificou Frederico Godoy.

Mesmo assim, os donos de imobiliárias sentem os investidores mais tímidos, pensando várias vezes antes de injetar recursos financeiros no setor. O que acontece é uma inevitável desvalorização dos imóveis. “Neste ano, percebemos uma queda no valor de cerca de 30% e a inadimplência dos alugueis aumentou cerca de 30% também”, disse o presidente da AIA.

O que tem amenizado as perdas são as ofertas de imóveis através do programa federal Minha Casa, Minha Vida. “No setor de vendas, os benefícios ajudam a fechar negócio. Nessa circunstância que o Brasil vivencia, ou vendemos o mais barato ou o mais caro, a classe média tem sofrido bastante”, observou.

Frederico Godoy contou que uma construtora lançou em Anápolis cerca de 160 unidades no mês de abril. Uma demonstração que os imóveis vendidos pelo Minha Casa, Minha Vida ainda tem aceitação. “O cenário para este perfil não está ruim. Agora imóvel fora disso, que é voltado para a classe média, está muito frio”, frisou.

No setor de aluguel, o presidente da AIA confirma que na região central da cidade a tendência é dos inquilinos devolverem os imóveis aos proprietários. Vias como a Goiás, 15 de Dezembro e Manoel da Abadia tem muitos locais fechados.

Essa situação pode piorar com o reajuste da Taxa de Serviços Urbanos (TSU). “O valor alto desse tributo onera o custo do aluguel. O proprietário tem buscado abaixar o preço porque encontrar outra pessoa para alugar dá mais trabalho”, lamentou Frederico Godoy.

A estratégia de baixar o preço do aluguel acontece mensalmente, quando o imóvel está fechado, numa tentativa de reduzir ao menos os custos. “Um imóvel comercial tem uma rentabilidade de aluguel e mesmo se o investidor for vender mais barato, ele não tem aquela obrigação de pagar os custos daquele espaço”, explicou Frederico Godoy.

Outra questão é que muitos imóveis que são comprados direto com a construtora, ainda na planta, são devolvidos porque as pessoas não conseguem pagar as parcelas. Para isto, Frederico defende que é preciso esperar um pouco para a economia do Brasil melhorar. “Anápolis não sentiu a crise como em outros lugares, é uma cidade diferente, mas a economia precisa reagir para os investidores continuarem a comprar imóveis”, observou o presidente da AIA.

Nacional
Dados divulgados em abril pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) indicam que os projetos do Minha Casa, Minha Vida cresceram 12,9% e responderam por 80,1% dos lançamentos imobiliários do Brasil nos últimos 12 meses.

Enquanto isso, foi registrada uma queda de 10,1% nos lançamentos de médio e alto padrões, pois os potenciais compradores de imóveis estão evitando compromissos com dívidas em meio à crise que derrubou o Produto Interno Bruto (PIB) em 7,2% nos últimos dois anos.

Para especialistas, essa queda de 10,1% não é nada boa, inclusive, por contrariar objetivo e desejo do governo Michel Temer que é dar asas ao consumo como alavanca do crescimento econômico, enquanto os investimentos não se firmam.

O crescimento do Minha Casa, Minha Vida também tem víeis negativo, pois no limite, a forte expansão do programa torna o PIB refém dele e de uma política de governo que poderá sofrer mudanças após as eleições de 2018.

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