Home Esportes Futebol anapolino em 2016: Galo decide e Rubra cai

ORISVALDO PIRES

Dentro de campo, 2016 deixa lembranças distintas para Anápolis e Anapolina. Enquanto o Galo deslancha e abre calendário cheio para 2017, a Xata tem que se contentar em disputar a divisão de acesso. Um contraste que mexe com os torcedores de formas diferentes.

No âmbito administrativo, dirigentes tricolores comemoram área doada pela Prefeitura, para construção de seu novo CT. Já a diretoria colorada anuncia que começa a ocupar seu CT a partir de janeiro de 2017.

Anápolis
Depois de amargar a divisão de acesso no ano anterior e disputar a terceira divisão em parceria com a Evangélica, o Tricolor se organizou administrativamente, sob a batuta de José Paulo Tinazo (Conselho) e André Hajjar (diretoria de futebol). A parceria com o empresário do futebol, Francis Melo, começou a apresentar resultados e, depois de vinte anos, o Galo sentiu o gosto de disputar uma decisão de campeonato goiano em igualdade de condições com os grandes da capital. Além de vencer a rival Anapolina duas vezes pelo mesmo placar: 1×0, colaborando com o rebaixamento colorado.

Na comissão técnica, na diretoria e no grupo de jogadores, surgiram nomes de profissionais consagrados no futebol brasileiro. Caso do ex-atleta Fábio de Jesus, o Fabinho, gerente de futebol. O ex-atleta Ramon Menezes, que brilhou com a camisa do Vasco, iniciou carreira de técnico no Galo, dirigiu o time na terceira divisão (2015) e no primeiro turno do Goianão (2016). Foi substituído pelo experiente Waldemar Lemos, ex-treinador de Flamengo, Fluminense e outros grandes clubes do país, que levou o time à decisão do campeonato. No Brasileiro da Série D o Tricolor teve, além de Waldemar Lemos, o também experiente Ricardo Drubscky, que já comandou clubes grandes do Brasil.

O grupo do campeonato goiano teve nomes de expressão nacional e internacional, como o goleiro Felipe (ex-Santos), o zagueiro Leandro Euzébio (ex-Fluminense), o volante Toró (ex-Flamengo) e o meia atacante Marcelinho (ex-Flamengo e Atlético de Madrid). Estes jogadores se encaixaram à qualidade de outros como o lateral direito Marcelo, os zagueiros Renato Justi e Igor, os alas Marinho e Furlan, os volantes Helder e Felipe Baiano, o meia Lucas Sotero, e os atacantes Michel Platini e Douglas Oliveira, entre outros. Resultado: 18 jogos, 29 pontos, 8 vitórias, 5 empates, 5 derrotas, 20 gols marcados e 15 sofridos. Um pênalti desperdiçado na grande final e o troféu de vice-campeão. Emplacou sete atletas na seleção do campeonato, além do treinador.

A Série D do Brasileiro foi um bônus. Não era previsto. Mas o Galo participou bem. Ficou a apenas dois jogos da Série C. Caiu nas oitavas de final. Uma competição deficitária, mas que serviu de experiência para o ano seguinte. Nos dez jogos que disputou obteve 3 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. Marcou 8 gols, sofreu 7. Agora, na fase de preparação com vistas à disputa da temporada 2017, aposta no técnico Charles Fabian (ex-jogador do Bahia e Flamengo), em início de carreira. Mantém 90 por cento do grupo de 2016 e promete reforços de peso. Vai disputar o Goiano da 1ª divisão, a Copa do Brasil e o Brasileiro Série D. Para fechar o ano com chave de ouro, recebe das mãos do prefeito João Gomes direito de uso por tempo indeterminado de área com mais de 63 mil metros quadrados, no setor Estância das Brisas, onde deve construir seu novo Centro de Treinamentos.

Anapolina
A Anapolina, que nunca havia disputado a divisão de acesso em sua história, caiu pela segunda vez em apenas quatro anos. Se em 2015 o time disputou de forma razoável o campeonato goiano e bateu na trave no Brasileiro da Série D, o ano seguinte significou o outro lado da moeda. Com os cofres vazios, patrocinadores receosos (inclusive pelos efeitos da crise econômica) e o número de ações trabalhistas de multiplicando nos tribunais, a montagem do elenco foi marcada pela modéstia e, em certos aspectos, por equívocos.

O resultado foi o rebaixamento. A estratégia de montagem do plantel foi apostar em atletas caseiros, alguns até que perambulam por clubes goianos a cada competição. Entre eles o goleiro Toni, o volante Zé Neto, os meias Zé Uilton e Irlan, e os atacantes Herê e Romarinho. Na metade do campeonato algumas caras novas foram trazidas, com intuito de tentar salvar o time, que já caminhava a passos largos para o rebaixamento. Chegaram o volante Café, os meias Bruno Morais e Ricardo Maria, e o atacante Diego Higino. Nem a experiência do técnico Sílvio Criciúma salvou o time, que terminou o campeonato na última posição. E mais: com duas derrotas para o arquirrival Anápolis. Foram 14 jogos, 11 pontos, 3 vitórias, 2 empates e 9 derrotas, 7 gols marcados e 18 conta.

Com as obras do CT em andamento e o time na divisão de acesso, o presidente executivo Leandro Ribeiro foi desafiado pela situação a adotas medidas extremas para tentar mudar a sorte do clube. O primeiro passo foi alterar algumas posições na diretoria, ao empossar novos dirigentes em alguns setores estratégicos, na tentativa desesperada de agregar parceiros atuantes. O segundo passo foi mais ousado. Mesmo com o desgaste de um rebaixamento, Leandro Ribeiro lançou-se candidato a vereador. A intenção era ganhar o reforço de um mandato legislativo para auxiliar no projeto de ressurgimento do time na temporada de 2017. O resultado não poderia ser melhor: eleição com a quinta maior votação entre os 23 novos vereadores.

Nos meses de setembro e outubro o departamento jurídico representou o clube em diversas audiências no Tribunal Regional do Trabalho. Pelo menos dez novas ações trabalhistas foram ajuizadas, inclusive de atletas que disputaram o Goiano de 2016. Como o clube apenas pode pagar essas dívidas enquanto estiver em atividade, as penhoras do TRT, limitadas a 30 por cento da renda de jogos, somente vai ocorrer no segundo semestre de 2017, quando o clube disputa a divisão de acesso. Por outro lado, no final de 2016 fica no ar a expectativa de finalmente utilizar o Centro de Treinamentos na próxima temporada. Com mandato de vereador Leandro Ribeiro espera abrir portas de apoiadores para a Xata, além de estabelecer parcerias para a formação de atletas e para buscar o título de campeão da divisão de acesso.

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