Home Cidades O dia a dia da ocupação no Instituto Federal de Goiás

ocupacao-ifgLUIZ EDUARDO ROSA

A realização das ocupações de unidades públicas de ensino, principalmente de Nível Superior, iniciou em Anápolis no dia 11 de outubro deste ano. Dois campi de instituições de ensino, na cidade, estão ocupadas por alunos, professores e lideranças estudantis. O primeiro campus ocupado foi do Instituto Federal de Goiás (IFG) Anápolis, no início do mês passado, e na última terça-feira (8), iniciou a ocupação no Campus de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas, da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Alunos e professores do campus do IFG Anápolis falam sobre o seu dia a dia e os motivos que os levam a eleger a ocupação como forma de ação contra a PEC 55. Os alunos da UEG tem a mesma pauta de protesto, porém permanecem em assembleias para decidir os rumos da ação.

Com pouco mais de um mês de ocupação, os estudantes, professores e lideranças dos grêmios estudantis do Campus do IFG em Anápolis continuam o movimento, mesmo perante um cenário no qual o Legislativo Federal é quem decidirá a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece o teto dos gastos Públicos. Aprovada na Câmara Federal do dia 11 de outubro com 356 votos a favor e 116 contra. Ao ser enviada ao Senado Federal, se tornou a PEC 55. “Mesmo diante da grande possibilidade da PEC ser aprovada pelo Congresso, queremos a partir deste ato chamar a atenção dos legisladores federais e da população para a gravidade dessa medida”, defende a estudante do IFG Anápolis Bárbara Abreu, de 15 anos.

As assembleias realizadas no IFG Anápolis na primeira semana de ocupação tiveram um “gradiente” segundo o graduando em Ciências Sociais e membro do Centro Acadêmico Luana Barbosa dos Reis, Salomão Alves. Entre as graduações, as coordenadorias e maioria de alunos com aprovação da ocupação contra a PEC foi por parte dos cursos de Ciências Sociais e Licenciatura em Química. Uma votação aproximadamente em 50% favorável à ocupação e a outra metade contra, foi entre os alunos do curso de Engenharia Civil da Mobilidade. O curso de Ciências da Computação houve 18 alunos votando contra a ocupação, 20 abstenções e cerca de seis alunos a favor. Uma assembleia entre os estudantes secundaristas teve votação da maioria a favor da ocupação contra a PEC.

“Uma das preocupações iniciais foi com os alunos que iriam fazer o Enem, neste sentido trouxemos aulões e outras atividades para atender essa demanda”, explica Bárbara. Uma programação foi organizada por alunos ocupantes e professores para a realização de aulas específicas, aulões, aulas de atendimento tira dúvidas e outras atividades, segundo os alunos na ocupação. Durante a tarde, foi destinado um espaço para atividades culturais e as reuniões das comissões que organizam a ocupação. Com uma organização horizontal, sem haver um líder instituído. No período noturno, são organizadas aulas específicas e atividades culturais. O pernoite é em sua maioria por alunos do Ensino Superior, pessoas com maioridade simpatizantes ao movimento e adolescentes são poucos, com a condição de terem autorização em documento pelos pais ou responsáveis.

São cinco comissões compostas entre alunos do ensino médio e superior nas áreas de limpeza, organização, comunicação, agenda e segurança, esta última dedicada ao monitoramento da preservação das estruturas do Campus e prevenção de riscos aos ocupantes. Cada comissão tem dois alunos responsáveis por manter os trabalhos mobilizando os outros a partir de escalas ao longo da semana. “Essa persistência no movimento está na contrariedade com o impacto da PEC na área da Educação, como também que participemos do debate da reforma do ensino médio”, afirma Bárbara.

“A ideia que temos do movimento estudantil era daqueles jovens que iam às ruas, agora eles querem de forma espontânea permanecer na escola e discuti-la”, explica o professor de história do IFG Anápolis, André Conrado. Ele aponta que em face do Poder Público a iniciativa visa também questionar o modelo de ensino tradicional, para um ambiente educacional que envolva mais a vida do cidadão e não somente os conhecimentos meritocráticos. “O professor ao invés de se distanciar, deveria é se fazer presente na ocupação, pois é a oportunidade de saber dos alunos quais são suas expectativas em relação ao processo educacional, o que é raro quando se cumpre a carga programática de conteúdos”, explica André.

Política
No campo do Ensino Superior, o vice presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Goiás, Orlando Amaral, apontou em audiência pública sobre a PEC 241/55 ferirá as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação. Mais especialmente o IFG Anápolis, o diretor geral do campus, Ewerton Gassi, apontou que o nível do orçamento da unidade, que impossibilitaria mais investimentos, em entrevista ao JE na última edição. Após um corte de 20% no orçamento anual para o exercício de 2016 do Campus, o orçamento que poderá entrar em congelamento é aproximado ao que é gasto somente com a manutenção estrutural da unidade, dificultando a implantação de novos equipamentos e investimentos.

Parte das coordenadorias de cursos de Instituições Federais de educação em todo o país e associações de docentes se posicionam contra a PEC 241/55. Em relação às ocupações eles ainda não se posicionaram a favor das ocupações, devido ainda não haver uma consolidação das questões jurídicas em que elas implicam, segundo os alunos do ensino superior na ocupação. “A ocupação vem em um momento de saturação de meios de protesto como passeatas na rua e abaixo assinado que não surtem efeito algum na classe política” aponta Salomão Alves.

A equipe de reportagem entrou em contato com alunos ocupantes do Campus da UEG, no bairro Jundiaí. Até o fechamento desta edição, afirmaram que estão em reuniões para definir como vão atender a imprensa. Durante a primeira semana de ocupação os alunos atenderam reportagens das emissoras de TV, durante os protestos de alunos contrários a ocupação.

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